Mafalda

Olá, por acaso já ouviram falar de “sonhadora-próativa”?! Nem eu!  Mas sempre que me pedem que me defina numa só palavra, eu digo isto porque não encontro melhor forma de descrever alguém que é absorvida pelos seus pensamentos e desejos de evasão mas que não desiste até os conseguir transformar em realidade.

Eu cresci rodeada de livros, ou deverei dizer que cresci a devorar livros?! Refugiei-me muitas vezes, noite dentro, em descrições que me permitiam conhecer outras paragens, outras culturas, outros modos de vida. 

Livros e a coleção que a minha mãe fazia da National Geographic eram a minha janela para o mundo. A minha outra janela preferida era a do carro dos meus pais, por onde passavam as belas paisagens do nosso Portugal. 

Tenho todas essas e muitas outras memórias espalhadas por cadernos, a escrita sempre foi a minha melhor forma de comunicar.

Hoje sou performer e, ironicamente, costumo dizer que sou psicóloga nos tempos livres. Nos últimos tempos, comecei a abraçar mais este conceito de “digital nomad” quando percebi realmente onde queria estar.

Foi a minha paixão por pessoas e pelas histórias que têm para contar que me fez escolher seguir Psicologia. A minha “irrequietude” crónica, que me faz sentir mais viva quando estou “andando” por aí, levou-me para o contexto do trabalho na rua, o comunitário e com populações marginalizadas.

É no “viver para fora” que me sinto mais feliz e é isso que procuro nas viagens.  Sou ávida de pessoas, de sorrisos, de olhares, de palavras, de toques, de sentimentos! Adoro lugares bonitos mas não me importo de os deixar ficar em segundo plano.

Não podia estar mais de acordo com Saramago, O fim de uma viagem é apenas o começo de outra. E, eu, quando não estou a viajar estou logo a pensar noutra. É aí que todas as viagens começam.

Hugo

Olá, sou o Hugo e sou performer de artes circenses, designer e criativo a tempo inteiro.

Nasci na África do Sul e a primeira coisa que disseram à minha mãe foi que a partir dos 10 anos de idade não seria mais capaz de caminhar porque me foi diagnosticado escoliose. Parte da minha infância foi passada na África do Sul, onde tínhamos por hábito acampar, um país de paisagens belíssimas e uma fauna incomparável. Penso que tenha sido aqui que nasceu o meu gosto por atividades ao ar-livre e pela aventura.

Os dez anos chegaram, passaram e felizmente o diagnóstico estava errado. Também nunca me resignei àquilo que tinham traçado para mim e desde cedo me envolvi na ginástica acrobática, passando mais tarde pelo parkour e, por fim, pelas artes circenses. Acho que posso dizer que sou “adrenaline junkie”, nunca perco uma oportunidade para experimentar algo novo ou mergulhar de um penhasco. A liberdade é o que me move (e o amor!)

Desde sempre tive o bichinho para viajar mas nunca se proporcionava… até ter conhecido a Mafalda, numa Feira Medieval. Eu que estava totalmente descrente no amor , apaixonei-me no momento em que a vi. Depois, é esta bonita história que se vê.

Se eu sou o “adrenalie junkie” da relação, ela é definitivamente a “wanderlust soul”, mas uma vez que comecei, nunca mais quero parar de viajar!

Ziggy

Conheci os meus “pais”, uma semana depois de ser amputado. Eles dizem que foi amor à primeira vista…eu gostei deles mas não os amei logo ali.

Não sei falar do meu passado mas não tenho boas memórias dele… Infelizmente, como muitos outros animais, fui abandonado e, muitas vezes, enxotado, mal-tratado, batido… Um dia, fui atropelado por um comboio e só sobrevivi porque aquela que é hoje a minha madrinha, me pegou ao colo, apesar do estado lastimoso em que me encontrava e do meu cheiro nauseabundo… Durante seis meses, o consultório foi a minha casa e olhem que fui muito feliz! Todas as pessoas de lá conhecem-me e adoram-me…Só não adorava as noites porque ficava sozinho e eu odeio ficar sozinho!

Na altura, a Mafalda & o Hugo, levavam-me com eles aos fins-de-semana a passear e a acampar! Prometeram-me que assim que arranjassem uma casa só deles, eu iria também. Prometeram, cumpriram e viemos todos morar para o Porto, onde até tenho uma casa com jardim para correr à vontade.

Na rua, as pessoas exclamam “coitadinho” quando olham para mim. Não sei bem porquê… A única vez que me recordo que não tenho uma pata é quando me quero coçar. Corro e salto muito mais do que alguns dos cães com quem costumo brincar e abano-me tanto quando estou feliz (que é quase sempre) que os meus pais brincam a dizer que eu dava um óptimo bailarino de sapateado. Além disso, tenho casa, comida e, o mais importante de tudo, uma família que me ama e que eu amo imenso também.

Tenho a sorte dos meus pais viajarem imenso por Portugal, por isso, exploramos e conhecemos sítios incríveis por cá! Quando eles vão lá para os lados da Ásia, eu fico por cá com a restante família… Agora como temos uma carrinha, ainda vamos viajar mais juntos!

"Oh não, outro blog de viagens!"

Já lá vão alguns anos em que vamos ouvindo dos nosso familiares, amigos e alguns conhecidos que devíamos fazer um blog para partilhar as nossas aventuras. E eu, Mafalda, apesar de já ter escrito pequenos artigos para jornais locais e de ter passado muitas horas, animada, a dar dicas sobre viagens, sempre senti que o que fazíamos não era assim nada de especial… Esperem! Não me interpretem. Era, e é, incrivelmente especial para nós, mas já existem tantos blogs de viagem incrivelmente inspiradores que não considerava que pudéssemos fazer a diferença.

Mas afinal percebi que podemos sempre fazer… não foram poucas as pessoas que nos disseram que ganharam coragem para ir viajar depois de lhes contarmos as nossas aventuras. Outras que realizaram o seu sonho em ir fazer voluntariado depois de acompanharem o nosso projeto numa remota aldeia no Nepal. Saber que tocámos e inspirámos alguém a partir em busca dos seus sonhos… bem, isso é francamente maravilhoso!

Nós somos duas pessoas comuns, um casal parecido com tantos outros. A nós, move-nos o amor, o comprometimento com a liberdade e, sem dúvida nenhuma, a realização de nossos sonhos. É um clichê, mas acreditamos firmemente que se somos capazes de sonhar, somos capazes de agir, de fazer, de realizar.

Depois de dois InterRails e algumas viagens pela Europa, experiências à boleia e em couchsurfing, decidimos partir, em 2015, com um bilhete apenas de ida. Fomos para onde o coração nos levava, também levados pelo brilho no olhar da Francisca, uma amiga nossa. Esta nossa primeira viagem pela Ásia foi, essencialmente, uma viagem dentro de nós. Uma viagem de crescimento, de amadurecimento, de autoconhecimento. Mas tudo isto só foi possível graças às conexões que estabelecemos. As interações humanas. Os laços efectivos que se criaram.

Voltamos alguns meses depois para o Hugo terminar o curso, mas já não éramos mais aquelas pessoas que tinham partido. Sabíamos que uma vida normativa das 9 às 5 não era para nós e estávamos completamente cientes de onde queríamos estar e para onde queríamos ir, sendo que a felicidade estaria acima de tudo. Decidimos ser donos do nosso tempo. Criamos o nosso próprio projecto ligado às áreas performativas, tornámo-nos “patrões” de nós próprios e viajamos pelo nosso país a fazer aquilo que mais gostamos. Deixamos os  meses de inverno para continuarmos a  viajar pelo mundo. 

Se nos perguntam qual o nosso objetivo, não temos muita dificuldade em responder. Não há desejos de bens materiais, apenas nos queremos tornar viajantes a tempo inteiro e inspirar mais pessoas que tal como nós se recusam em contentar-se com nada menos do que uma vida extraordinária.

Começámos este blog de viagens porque, tal como tu, adoramos viajar e ficamos de olhos mais brilhantes e coração acelerado quando partilhamos as nossas histórias. Nós, que somos duas pessoas comuns e que passamos o que a maioria dos jovens da nossa idade passam em Portugal, a incerteza de trabalhos precários, apenas percebemos que chega de nos cortarem as asas e nos impedirem de sonhar.Desfaçam-se já as ideias pré-concebidas. Não somos ricos nem o nosso dinheiro provém de pais ricos. Consideramos que a coragem e a inteligência pesam mais que o dinheiro quando se trata de viajar.

Viajamos muito a custo do trabalho árduo, do estabelecimento de prioridades e, obviamente, de sacrifícios. Nós começámos a dedicar a nossa vida às viagens, para evoluir, para aprender, para sentir e para vivenciar todas as potencialidades enquanto seres humanos, abraçando novas experiências e novos horizontes e vivendo cada dia como uma nova forma de vida. A nossa sede por explorar o mundo é insaciável, por isso não nos arrependemos e, todos os dias tentamos aproximar-nos mais da vida que sonhamos. Enquanto houver estrada para andar, viveremos assim felizes.

Não queremos fazer deste texto uma espécie de manifesto. Mas, se o que queres e o que sentes dentro de ti é esta vontade… Permite-te a viver! Mesmo que isso signifique abrir mão de muita coisa que sempre tiveste como garantido e do conforto das certezas, mesmo que isso signifique que tenhas de enfrentar os teus receios e medos. A vida é demasiado curta, um dia acordas e percebes que não resta muito tempo para concretizar aquilo que sempre sonhaste. Então, o conselho que podemos dar: imagina uma nova história para a tua vida e começa a vivê-la agora!

Sim, este é mais um blog de viagens. O que difere?! Ele é também sobre a nossa jornada, a nossa verdade, sobre quem somos e aquilo que nos tornámos.

Partilhamos para que tu também abraces os teus desejos e objetivos.

Partilhamos para partires sem medo.

Partilhamos para te inspirar a viajar mais e a criares melhores memórias.